Jim Lee, Presidente da DC, Admite: “O Mercado de Mangás é Maior e Precisamos Aprender com Ele”

Jim Lee, Presidente da DC, Admite: “O Mercado de Mangás é Maior e Precisamos Aprender com Ele”

Em uma entrevista reveladora à revista Nikkei XTrend nesta segunda-feira (26 de janeiro de 2026), Jim Lee, presidente e diretor criativo da DC Comics, abriu o jogo sobre a atual hegemonia cultural do Japão. Lee não apenas reconheceu a superioridade comercial dos mangás e animes, mas questionou abertamente o que falta às HQs ocidentais para reconquistar o público jovem.

Super-Heróis vs. Diversidade Temática

Para Jim Lee, a principal barreira da indústria americana é a sua obsessão por um único gênero. Enquanto as HQs nos EUA estão quase inteiramente concentradas em super-heróis, o Japão trata o mangá como literatura universal.

  • Amplitude de Gêneros: Lee destacou que no Japão existem histórias de sucesso sobre culinária, futebol e dramas cotidianos. “Qualquer pessoa pode ler. Não são apenas histórias de heróis”, afirmou.
  • Barreira Geracional: O presidente da DC apontou que, no Ocidente, quadrinhos ainda são vistos como algo “infantil” que as pessoas abandonam ao crescer. No Japão, o consumo de anime e mangá atravessa todas as faixas etárias sem estigma.

O Ciclo da Popularidade e o “Ajuste” do Público

Lee relembrou a crise de 2008 e o fechamento das livrarias Borders como golpes duros na distribuição de mangás no passado, mas notou que a resiliência da cultura pop japonesa hoje é inabalável.

Essa visão de Lee encontra um contraponto interessante na fala de Hideaki Anno (Evangelion), que recentemente declarou que os criadores japoneses não devem se adaptar ao gosto ocidental. Segundo Anno, é o público estrangeiro que deve se ajustar à sensibilidade e às emoções japonesas. Para ele, a autenticidade cultural é o que torna o conteúdo atraente, e não a diluição para agradar Hollywood.

O Futuro da DC Comics

A postura de Jim Lee foi de humildade. Ele encara o sucesso do mangá como um objetivo a ser alcançado. O desafio agora é saber se a DC e outras gigantes ocidentais conseguirão diversificar seus catálogos para além de “homens musculosos em collants” e atrair leitores que buscam narrativas mais próximas da realidade ou de outros nichos literários.

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